Poesias
Sujaram as águas do Ipiranga
Cá entre nós
Sujaram as águas do Ipiranga...
Poluíram suas margens plácidas
As fábricas esquizofrênicas e irracionais...
A pátria amada mãe gentil
Não é dos filhos que pariu
É de poucos
A pátria mãe gentil
Da puta que pariu
E diga ao verde-louro dessa flâmula
Que somos negros, que somos mulatos
Que somos reais
Que somos o povo mestiço, com orgulho...
O país é varonil, impávido colosso
E o povo, rói o osso
De um povo heroico o brado retumbante
É só um grito ideal e belo, nas lajes pobres de concreto
Diversas fomes, a fome é real
A desigualdade é real
A chantagem do capital é real....
No céu da pátria neste instante há mentiras
Teu seio de liberdade deixou-se conquistar pelo capital transnacional....
E o sol da liberdade? Em raios fúlgidos?
Qual nada... somos escravos da incompetência, escravos da corrupção
Somos escravos do absurdo
Idolatradas ilusões....
Idolatrados pães e circos e sexos....
Deitado eternamente em berço esplendido
Berço esplendido e estéril...
Dos filhos deste solo és mãe gentil
De filhos submissos
Sobre tuas asas de caos do capital feroz e impiedoso...
Um golpe no meu peito nacional
Salve salve! A poucocracia
A prostitutocracia infantil absurda
Salve salve! A luxocracia brilhando nas retinas de um povo carente
Salve salve! A absurdocracia
Salve salve! A mão de ferro maquinal em rostos bonitos e televisivos...
Terra amada, lembra de meus pés descalços?
Terra amada, eu sei teu gosto e teu cheiro até hoje......
Terra adorada
Onde resplandece a imagem do cruzeiro?
Em quartos luxuosos, ou em barracos?
Onde resplandece a imagem do cruzeiro?
Nos olhos sedentos de teu povo?
Poluíram as margens do Ipiranga
Enlouqueceu a pátria mãe gentil
Emudeceu o brado retumbante
Secaram os seios da liberdade
A imagem do cruzeiro não resplandece, se esquece
Impávido colosso esquelético
Teu formoso céu risonho e límpido, e poluído, e distante...