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Maurício de Oliveira

Sobrevivente brasileiro.

16-11-1973 Batatais-SP, Brasil

História - Unesp/Franca - 1996

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Dos universais

Quando eu digo: "o capitalismo gera valor", instantaneamente sou alertado por uma corrente dizendo que o geral, o universal, "o capitalismo", essa coisa generalizante, talvez abstrata, não existe, sendo a penas a realidade o comércio, o trabalho e o mercado de cada lugar individual: o capitalismo no Brasil, na Alemanha etc.

Mas a todo momento eu digo coisas universais e até ideais: Brasil, mercado, capitalismo, vendas, comércio, universidade.

O fato é que quando digo "o capitalismo", o interlocutor entende automaticamente que há um sistema em todos os países, dividido entre patrões e funcionários, entre donos do capital e alienados do capital: vendedores de sua força de trabalho. E mesmo que o interlocutor diga que não entende, pouco importa, por um motivo ou outro é esclarecedor e inteligível, um mecanismo automático no indivíduo que entende: os EUA, a Alemanha, a Colômbia são divididos entre donos dos meios de produção e alienados deles.

Se eu pronuncio: "a universidade", podeis dizer vós que não se pode pegar, tocar ou existir esse universal ou ideal "universidade"; que o que existe apenas são escolas particulares, singulares em cada cidade e pertencente a si mesmas, sendo a concretização daquele universal. Bem, mas ao afirmar isso, também se disse: escola, outro universal. E para explicar cada universal, busca-se o concreto, individual, mas ao buscá-lo, lança mão de palavras que são elas mesmas outros universais, ou ideais. Novamente, ao ouvir a palavra "escola" ou universidade, o interlocutor entende perfeitamente que lá há professores e alunos, que aqueles são pagos, que esses estudam, que há uma hierarquia, que há provas, que há conquista de títulos etc. Não só entende, como o faz muito bem.

Não posso deixar aqui de dizer que esse mecanismo, do universal ou ideal e do concreto, primeiro que seja um mecanismo, devendo ser estudado. Segundo que arraigou-se no homem, ou talvez o próprio aparato do homem seja já preparado para isso a priori. O fato é que não há outro caminho a não ser estudá-lo para descobrirmos a nós mesmos.

Ainda devo dizer que parte ou até o todo disso foi aprendido por mim a partir de Wittgenstein.

Filosofia Prática - Do terraplanismo ao click da ciência

Descartes e Galileu fizeram um grande serviço à humanidade quando disseram: "o que você está vendo pode não ser a realidade".

Bem pode até ser a realidade, mas o caso é que há várias faces da mesma realidade, só para começar, e o seu conceito de verdade pode estar errado quando você olha para algo e diz: "Isso é a verdade". Simplificando: "a verdade é isso que vejo" nem chega perto da verdade que você imagina.

Numa palavra: podemos dividir a realidade em duas: experiência prática e verdade científica. Confuso? Vamos lá então...

Você saiu andando pela vida afora, pelo planeta Terra, e andou tanto que acabou dando a volta no mundo todo. O que você diz para si mesmo? Resposta: diz que andou num plano, e que portanto a terra é um plano. Porém, você sabe que a Terra é um globo. Mas seus sentidos, o caminhar, a visão, as sensações, tudo te diz que você andou em um plano. Ou seja, do ponto de vista da experiência prática você caminhou em um plano. Já do ponto de vista científico você sabe que deu a volta no imenso globo chamado planeta Terra, nossa casa.

Um pouco mais: seus sentidos te dizem uma coisa e tua razão outra.

Essa razão eu posso chamar de "click da ciência".

Durante milênios os homens realmente achavam que a Terra fosse plana, pois era isso que a experiência prática lhes dizia. A ciência nem existia ainda. Até que um dia, voilá, alguém desconfiou de seus sentidos, de sua visão, dos seus próprios passos, de suas sensações. Isso começou com os gregos antigos e quem realmente fechou essa história foi René Descartes.

Pois bem, saltando para o século XXI: alguns homens começam a dizer que a Terra é plana, e pior, juntam-se a outros com a mesma ideia, empoderados pela imensa rede, a internet.


porque é dificil convencê-los do contrário?


é uma excelente oportunidade de treinarmos, revisitarmos os conceitos


empírico


experiencia pratica e científica

a ciencia nunca disse



inteligível sensível

Dos conceitos: capitalismo

Há uma confusão de conceitos e de escopo ao se definir o capitalismo como: "responsável por minimizar custos e maximizar os gastos". Quem deseja isso, minimizar gastos e maximizar o lucro é o indivíduo, não apenas o indivíduo pessoa, mas a própria instituição: comércios, fábricas, sistema imobiliário, grupos de aplicação e também o próprio indivíduo homem.

Não é possível ao capitalismo minimizar gastos, pelo contrário. O capitalismo especializou-se em gerar valor. Assim, o trânsito intenso, as necessidades individuais, as doenças, o sistema prisional, quanto maiores eles forem, melhor pro capitalismo, mais comércio e acumulação é gerada.

Uma grande cidade gasta milhões de litros de combustível desnecessariamente por causa do trânsito. Bem, para o capitalismo, tanto melhor: gerou-se um consumo e gerou-se lucro, que, em tese, poderia nem existir.

Qual é então a missão do capital: gerar valor e seus pertinentes lucros e acumulações. Grandes esportistas, entretenimento, saúde, necessidades fúteis, consumismo, todos geração de valor.

Teoria da razão suficiente

Tudo que é

O é

Porque há razão suficiente

Tudo que não é

Não o é

Por falta de razão suficiente

***

Algo só acontece quando há razão suficiente pra que aconteça. Qualquer de nossos ideais só se concretizarão quando houver um caminho racional suficiente para tal. Se não aconteceu é porque não teve razão suficiente. E todo o concretizado até aqui, deu-se por razão suficiente.

É claro, o tecnológico é mais palpável do ponto de vista da razão, então anda sempre à frente.

Já os ideais humanos, foram conquistados parcialmente, pela condição racional que temos. E se um dia se concretizarão totalmente, dependerá da razão que conquistarmos ou que seremos capazes de construir.

Filosofia

A filosofia pode até julgar, mas ela não é o julgamento apenas do pensamento ou do todo; a filosofia é o próprio pensamento em si, fora de si flertando consigo mesma e flertando como que há fora. Temos paradoxos irresolutíveis se definirmos a "filosofia como a verdade", mas nos movimentamos muito bem se a consideramos uma amiga da verdade. Então podemos beber de várias correntes da filosofia, antagônicas, mas que no fim, nos levam para um mesmo caminhos.