Fomos educados a acreditar, nessa época, que não existe limite para a investigação humana. Porém, lembremos, em outras eras passadas, o movimento tecnológico era tão pequeno que a sensação era contrária, sem que se acreditasse em uma evolução ou alargamentos dos limites daquele tempo.
Exploramos vastas áreas do universo e da matéria. No universo enxergamos tão longe que temos a expectativa do infinito. E na matéria fomos ao átomo, ao tão pequeno que esperamos estar próximos de um infinito.
Aqui distinguimos duas faces do mesmo infinito: a matemática e a prática.
O infinito matemático é impensável e sempre vai mais além, para o pequeno e para o grande, interminavelmente.
Já o infinito prático é visto em nossa experiência científica e empírica, e está mais próximos de nós, porém, rumo ao inalcançável.
E chegar próximo desse infinito prático talvez seja nosso limite.
O infinito matemático sem dúvida é impensável para nós, e nunca teremos a capacidade de entendê-lo razoavelmente. Bem, talvez um dia daqui a milhões de anos, mas não agora.
Paradoxalmente, o infinito matemático trata de uma de nossas capacidades. Sempre somos capazes de adicionar "mais um" a qualquer coisa que imaginamos, dentro de nossa capacidade de conceber o espaço, matéria e tempo.
Pense em planetas, estrelas, podemos sempre adicionar "mais um", pensando nos planetas e estrelas como os conhecemos dentro de nossos limites, ou de nossa natureza.
Um exemplo disso é a velocidade: se eu penso 300 mil k/s, posso adicionar "mais um" e ficar com 301 mil km/s. Esse é o infinito matemático. Já no infinito prático, 300 mil km/s é o nosso limite. Para além dele voga um espaço tempo que está além de nossa compreensão. Assim, podemos conceber o 301 mil k/s no espaço, matéria e tempo como o conhecemos. Mas no mundo prático não é assim: a realidade é que acima disso o espaço, tempo e matéria deixa de ser o que pensamos deles, estão para além de nossa natureza. Bem, pelos próximos milhares de anos seremos assim limitados, depois disso não podemos especular mais. Só que no momento é essa nossa situação.
Mas mesmo para o infinito prático, talvez ele seja inalcançável para nós, pois está além de nossa compreensão. Ou melhor, talvez a natureza do infimamente pequeno ou muito grande seja algo bem distante da natureza de nós, homens, e sua peculiaridade seja tão diferente da nossa, que vemos então um limite quanto ao que podemos especular com nossas capacidades.
Somos homens, vemos e raciocinamos. Se inventarmos uma câmera filmadora tão pequena quanto a um pedaço de átomo, teremos a expectativa do que afinal veremos nele. E provavelmente não veremos nada. Pois ver é uma capacidade íntima com nossa natureza, mas a natureza do subatômico seja outra, o que acarretará em não vermos nada. Se a matéria for algo como uma onda, então, o que veremos em nossa câmera ultra pequena? Nada, apenas um vazio.
Mas podemos raciocinar, e até especulamos alguma coisa, mas a própria lógica subatômica, sua natureza, seu modo de ser, nos é estranho ao ponto de apenas arranhar por fora o que o mundo subatômico é.
Pelo lado do grande, do macrocosmos, vemos a bilhões e bilhões de anos luz, mas o que vemos nas bordas do que nos chega? Igualmente nada. Nas bordas do universo, dizendo toscamente "bordas", nas distâncias inimagináveis nosso modo de ver é nulo, é estranho e não pode atingir aquelas "bordas" com distâncias inimagináveis. Não temos nem palavras em nosso vocabulário para nomear razoavelmente aquilo que nos é estranho, diferente. mas ainda podemos imaginar ou raciocinar. esse é o nosso talento.
Porém, eu não sei se nosso raciocínio tem algum limite, no entanto, perto do infinito, talvez ele se perca igualmente. Talvez o raciocínio seja infinito apenas em nossa natureza, em seu escopo.
Somos livre no que somos, mas talvez estejamos aprisionados ao que somos. No infinito grande ou pequeno, o que vemos é isso: nada.
Matematicamente minha razão concebe que nunca atingiremos o limite infinito grande ou pequeno. Já na prática, podemos até arranhá-lo levemente, mas não o compreendemos e nada vemos.
Temos comunicação instantânea e informação quase sem limites. Evoluir para onde? temos máquinas que podem fazer quase tudo, e até um cérebro artificial capaz de "pensar" quase tudo. O que esperar além disso? Fomos longe demais e o próximo passo qual será? para ir além precisamos compreender o infinito no grande e no pequeno, coisa que calmamente diz "não, não somos de vocês, aqui é nosso mundo e vocês não podem entrar"
sabemos do paradoxo da tartaruga e de Aquiles, que pela nossa razão, este guerreiro nunca pode alcançar aquele animal. Por mais que Aquiles ande sempre haverá uma distância entre ele e a tartaruga. Bem, isso pela nossa razão.
Se imaginarmos que pela nossa matemática a coisa se dê como pensamos, então, uma distância infinitamente pequena se coloca entre o guerreiro e o animal.
Mas eu sei que Aquiles ultrapassa a tartaruga em um momento e a deixa para trás. O que aconteceu? Nossa razão com seu paradoxo desmoronaram. Naquele momento em que Aquiles está pequena e infinitamente perto da tartaruga acontece algo, que contraria nossa razão e não podemos explicar. E eu posso inferir que nossa concepção de matéria, de distância, de medida, de espaço foram de alguma forma alterada para que haja o que acontece na realidade: a ultrapassagem acontece. Mas, diga, o que acontece naquele momento em que menos de um átomo separa os dois? Nossa razão, nossa experiência, nossa intuição, colapsam. Colapsam para dar vida ao que realmente acontece, a distância é infinitamente pequena e não atende mais ao nosso modo de ver ou de pensar.
Pelo lado do grande, vemos bilhões de anos atrás, mas o limite nunca chega. Por quê? Porque esse limite é tão estranho que novamente nossa razão e modo de ver colapsam para dar vida a algo tão diferente que nem podemos imaginar, nem podemos sonhar ou conjecturar. O infinito prático do grande e do pequeno talvez sejam exatamente isso: nosso limite.
Para o pequeno o espaço colapsa sobre si mesmo, e apesar de muito distante, ou próximos de nós, o que acontece com ele nos afeta diretamente. Fosse pelo nosso raciocínio Aquiles nunca ultrapassaria a tartaruga.
Para o grande o espaço se desintegra. Lá nas barreiras do universo nossa concepção de barreiras, paredes, espaço, tamanho, se desintegram. Mas isso nos afeta, afinal estamos no mundo como ele é, e estamos bem seguindo suas regras e sua verdade, que lá no infinito prático é inalcançável a nós, mas de alguma maneira, novamente, nos afeta.
Quanto ao espaço tempo, à velocidade, uma partícula a 300 mil km/s pelo espaço seria algo meio louco para nossa concepção de espaço tempo. mas não para ele mesmo, o universo e a realidade do espaço tempo a 300 mil km/s. E ela, a luz, com certeza nos afeta.